Seu filho quer um cãozinho?

Seu filho quer cãozinho

O Marcelo era uma criança normal, mas desde cedo deu sinais de que amava os animais. Todas as noites ele pedia aos pais que deixassem um pouquinho de comida no prato, para que ele juntasse tudo em um pote de margarina e colocasse perto dos postes nas ruas, para ser o jantar dos bichinhos “sem casa”. E assim foi crescendo. Quando atingiu certa idade ganhou um vira-lata, porque ele preferiu ir à feira de adoção para escolher quem seria o seu “Boris”. E diferentemente do que você pensa, ele não se tornou veterinário quando cresceu: hoje ele trabalha com turismo, mas sempre arranja tempo e dinheiro para ajudar às ONGs que cuidam dos animais carentes, além de ter dois cãezinhos como membros da sua família. E seu filho mais velho todas as noites pede aos pais que não raspem o prato…

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Por que esta história? Para mostrar que assim como o Marcelo, as crianças que convivem com bichinhos desde sempre tem os seus desenvolvimentos emocional, social e educacional maiores. “Todo animal precisa de cuidados, o que faz com que a criança aprenda a ter responsabilidades assim que decide ter um bichinho. Ele será o incumbido de trocar a água, colocar a ração, limpar as sujeiras, levar para passear, dar banho e até lembrar quando é a época de dar a vacina”, explica o veterinário Dr. Gilberto Braga.

O profissional ressalta que os pais precisam ter discernimento antes da adoção, já que isso implica não só a responsabilidade com o bichinho, mas também com o bem-estar da criança. “Alguns só focam o que trará de benéfico para o filho, mas se esquecem de que o cãozinho, o gato ou o passarinho tem vontades próprias. Não será como um brinquedo, em que não há reação. A criança pode machucar o bichinho, apertar, puxar e levar uma mordida, arranhada ou bicada. Isso é natural, por isso exige supervisão e orientação”.

 

Benefícios da relação crianças e animais

bebês e cachorros

Ter um bichinho é a garantia de companhia, amor, carinho, afetividade, brincadeiras e fidelidade. E não é à toa que as estimativas de animais de estimação só aumentam, chegando até a contabilizar de dois a três por domicílio: o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos, somando mais de 101 mil bichinhos, entre cães, gatos e outros animais criados em casa.

“A Mayara já nasceu convivendo com meus gatinhos e meus cachorros. Nunca tive medo, só tomava as medidas necessárias, porque há animais mais humanos que as próprias pessoas. Eles sabiam entender minhas limitações por causa da barriga, dos inchaços e nem pular em mim eles pulavam. Quando a bebê nasceu, a Mia, nossa gatinha, ficava ao lado do berço praticamente o dia todo, cuidando dela. Se ela chorasse, a Mia vinha correndo me avisar. O Estopa, um cãozinho que eu adotei um pouco antes de saber que estava grávida, foi o maior companheiro dela enquanto aprendia a engatinhar. Tanto é que na escolinha ela não teve problemas de adaptação, porque aprendeu muita coisa com eles”, conta a publicitária Ana Carolina Barilari. Segundo ela, a sua filha, hoje com quatro aninhos, sente-se à vontade em qualquer situação que exija socialização.

“Isso é natural que aconteça, pois crianças que são criadas com animais aprendem a dividir atenções, afeto e responsabilidades, fugindo das características individualistas, muitas vezes comuns em determinadas fases da infância. Ela tem mais noções de respeito e carinho, porque precisa cuidar, diferentemente do que ela passa com os pais, que ela é cuidada. Além disso, muitas delas convivem com a perda, lidando com esse sentimento e compreendendo melhor essas questões”, esclarece a psicóloga Beatriz Fonseca.

 

Ensinando o animalzinho e o filho

Se o seu filho ou a sua filha está pedindo um bichinho, mas você ainda está “pensando”, nós vamos dar uma forcinha para que você realize o sonho da criançada. Conheça algumas maneiras de orientar esse relacionamento:

– Para que a criança sinta-se responsável, comece dando a ela a obrigação de vigiar a água e a comidinha. Quando os potinhos estiverem quase vazios, ela começará a sua tarefa avisando aos pais, para futuramente ela mesma trocar a água e a ração. Lentamente ela vai ganhando outros afazeres ou sendo ajudante, como na hora do banho ou de levar para passear. Esse senso de responsabilidade é ótimo para o desenvolvimento dos filhos;

 

Seu filho quer um cachorro

– Estimule o pequenino a brincar com o bichinho, arremessando bolinhas (em caso de cães) ou balançando a varinha (se forem gatinhos). Fazer carinho no bichano também é um excelente modo de incentivar essa relação, criando vínculos de carinho e amizade entre eles;

– Oriente os filhos de que o cachorro dos outros não é o cachorro de vocês, por isso, eles precisam saber se é dócil ou se podem brincar com o bichinho. Muitos crescem acreditando que todos são iguais e colocam a mão antes de tudo, correndo o risco de mordidas e muitos outros problemas. Pais e filhos devem ficar atentos sempre, já que cada animal tem o seu temperamento, independente de raça ou espécie. Perguntar ao dono é a melhor saída;

– Quando forem escolher um bichano, consulte um veterinário, porque ele indicará qual deles é o mais apropriado para o estilo de vida da família, o espaço disponível para ele e outros fatores. Não adianta querer criar um Pastor Alemão em um apartamento pequeno e ficar fora o dia todo, pois ele precisa de um local grande pelo seu porte, além de diversos passeios diários para gastar energia;

– Muitos pais acham que os bichos causam alergias, mas estudos mostram que as crianças com menos desenvolvimento de alergias são as que convivem com animais desde cedo. Elas criam anticorpos e tem o sistema imunológico “acostumado”, enquanto as que não tem contato com os animais ficam mais propensas a quadros alérgicos.

Ou seja, com cuidado e amor, a relação de animais e crianças só tem a acrescentar. Pesquise bastante sobre o bichano que você pretende adotar e siga os procedimentos corretamente, como exames, vacinas e a alimentação certa. Pronto, você e sua família ganharam mais um membro, cheio de carinho para dar e receber!

Por Priscilla Silvestre

 

 

Dr. Gilberto Braga – Tel.: (11)2293-9791

Beatriz Fonseca – Tel.: (13)3445-2978

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